Arquivo de janeiro, 2010

jan 28

A revista Veja desta semana vem denunciando a tentativa de censura aos meios de comunicação, no Brasil, disfarçada em propostas de aparente interesse social, que recorrem a nomes pomposos como “controle social da mídia”, e a eventos que exibem títulos chamativos como Conferência Nacional de Cultura, mas que escondem intenções perigosas, segundo a revista. Nessa reportagem, Veja transcreve as palavras de um dos ícones comunistas, Vladimir Lênin, em 1912: “Dar à burguesia a arma da liberdade de imprensa é facilitar e ajudar a causa do inimigo. Nós não desejamos um fim suicida, então não a daremos.” E sugere que se enfrente todas essas tentativas com o pensamento do ex-presidente americano Thomas Jefferson, cunhado em 1787: “Se eu tivesse de decidir entre ter um governo sem jornais e ter jornais sem um governo, eu não hesitaria nem por um momento antes de escolher a segunda opção.”

Sabemos que Mao Tse-Tung usou a famosa Revolução Cultural para prender, torturar, deportar, submeter a trabalhos forçados e executar intelectuais, escritores, professores, economistas e jornalistas que ele mesmo estimulara a criticar o governo, para poder, como justificaria depois, “capturar as serpentes”. Essa armadilha levou-o a organizar um índex com 550 mil nomes rotuladas de “direitistas”, que Mao os tinha por inimigos ferrenhos do regime. Um jornalista, Dai Huang, que sobreviveu às perseguições, escreve mais tarde como os deportados eram jogados em lugares como o extremo norte da Manchúria, em trabalhos forçados sob temperaturas de 38 graus negativos.

Na Venezuela de Chávez, a censura é denunciada pela mídia do mundo inteiro. O Bom Dia Brasil, da Rede Globo, de 25/01, noticiou que “TVs que não transmitiram discurso de Chávez saem do ar “. E detalha na matéria que “o governo tirou do ar seis emissoras de televisão a cabo por não transmitirem um discurso do presidente Hugo Chávez”. Segundo ainda a notícia, uma das censuradas – a RCTV -– “deixou de operar como televisão aberta em 2007, quando o governo não renovou sua licença”. Fato é que está na internet que um jovem de 15 anos, entre os militantes do Movimento Estudantil que protestava contra a censura, foi baleado e morto.

No mesmo jornal, ao término da notícia, o comentarista da Rede Globo, Alexandre Garcia, disse que “a Venezuela vai afundando com a administração do tenente-coronel páraquedista Hugo Chavez”. Lembrou que “ele tem um passado golpista, esteve preso e quase caiu e foi salvo por um grupo de países amigos Venezuela, liderado pelo presidente Lula”. Reproduzimos aqui estas informações por acharmos da maior atualidade e importância para o mundo democrático, no qual se insere o Brasil.





Dona Zilda Arns morre como os grandes santos da Igreja, ou melhor, como os grandes mártires: numa tragédia, fazendo o bem. Encerra a sua carreira entre nós humanos em plena atividade de amor fraternal, em Porto Príncipe, no Haiti, onde foi levar a mão amiga que manteve estendida por toda a sua vida aos brasileiros e a outros povos, na sua missão de presidente da Pastoral da Criança.

Foi uma mulher extraordinária, conhecida de todos pela força do seu amor. Médica, de uma família de posses da Alemanha, ela recunciou todo conforto do escritório e dos seus familiares para sair pelas ruas das favelas do Brasil, abraçando as crianças e lhes levando uma mensagem de profundo afeto e respeito.

Trabalhou também pelos idosos, mas foram as suas preocupações com a infância que a tornaram respeitada por todas as crenças e por todas as classes. O seu trabalho, expressão do seu amor ao próximo, foi reconhecido internacionalmente, tendo o seu nome sido lembrado várias vezes entre aqueles inscritos para o Prêmio Nobel da Paz. Era a voz da gratidão.
 
Como cearense, compartilhei com muita alegria o justo título que ela recebeu da Assembléia Legislativa do meu Estado, de Cidadã Cearense. Foi a última visita, entre as muitas que ela fez ao Ceará na sua missão pela Pastoral da Criança.

Junto com outros brasileiros que estavam a serviço do povo haitiano, Dona Zilda Arns veio a falecer vítima do terremoto que se abateu sobre aquele país, deixando atrás de si, na sua vida de dedicação ao semelhante, os feitos da Boa Samaritana, imitadora do Cristo.



 A exemplo do que acontece com toda a sociedade cearense e toda a opinião pública nacional, estamos também chocados com essa sequência de tragédias envolvendo a infância, a adolescência e a juventude. Esse episódio estarrecedor da menina Alanis, raptada do pátio da igreja do Conjunto Ceará e depois encontrada estuprada e morta em Antônio Bezerra, é apenas mais uma dessas brutais ocorrências que se repetem diariamente na crônica policial do país.

Outro dia, aqui também no Ceará, vimos o caso de outra menina, Luana, que foi raptada quase das mãos da mãe num parque de diversões na cidade de Jardim, no sul do Estado, e depois também encontrada estuprada e morta. Estão vivas na lembrança de todo o país, as cenas do menino João Hélio, arrastado até á morte sob as rodas de um veículo tomado por assaltantes, nas ruas do Rio de Janeiro. Ninguém consegue esquecer o episódio brutal da menina Isabela, atirada do alto de um edifício, em São Paulo. Víamos, ainda recentemente, toda a sociedade brasileira chocada com o caso do garoto que teve o corpo espetado por mais de 40 agulhas. O noticiário nacional está repleto desses registros de pura crueldade contra a infância. E, mais grave: cresce o número de crianças, adolescentes executados pelo tráfico, vítimas do uso de drogas fortes como o crack. Vemos os jovens envolvidos nos acidentes brutais, causados pelo consumo desenfreado do álcool. Aliás, a esse propósito, apresentamos um projeto no Senado punindo com mais rigor os responsáveis pela venda de bebidas alcoólicas a pessoas de menor idade.

Alguma coisa precisa ser feita na defesa da criança, da infância nas ruas, em famílias desestruturadas, sem recursos e sem meios de sobrevivência. Cabe aos governos adotarem políticas públicas concretas que possam salvar a juventude da derrocada das drogas e da violência. As crianças estão cada vez mais expostas e precisam ser amadas e defendidas. Precisamos, por exemplo, por em prática aquilo que a lei já estabelece, como no caso do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Trata-se de uma das legislações mais avançadas no mundo, mas a falta de recursos e de vontade política para implementá-lo integralmente acaba transformado-o em mera carta de intenções. Temos, então, um discurso bonito sem uma prática concreta, capaz de produzir os efeitos necessários no sentido de conter esse incêndio devastador que avança sobre a nossa infância e nossa juventude, ameaçando o nosso futuro.

As crianças estão cada vez mais expostas e precisam ser amadas e defendidas, porque sem elas país nenhum terá futuro. Como cidadão, pai de família e homem público estaremos abertos a quaisquer opiniões que possam nos fortalecer na nossa atuação no Congresso, para o combate à violência de um modo geral, sobretudo contra a infância e a adolescência. Já é hora de todos nós, da sociedade em geral, nos indignarmos e reagirmos contra esse rio de sangue da violência, que nos coloca em pânico e rouba a nossa paz.